Ainda estou aqui....

"...E a morte não terá o comando". Há algum tempo, tive que concordar com essa frase. Me pareceu real e adequada, sob um ponto de vista muito pessoal. Houve uma citação do poeta no remake norte-americano de Solaris. Um filme desnecessário diante da grandiosidade inquietante do original, aquele filmaço russo dirigido pelo mago Tarkovski. Isso apesar da refilmagem de Steven Soderbergh de todo não ser ruim. Seu maior defeito é estreitar a amplitude da história, pegar leve, maneirar. Deixemos em paz o passado, mesmo que não tenhamos mais os meios de construir o futuro. Solaris, o livro, é um clássico monumental da Ficção Científica. Escrito pelo polonês Stanislaw Lem em 1961, é uma fábula sobre um planeta distante, cuja superfície é completamente coberta por um oceano profundo, dotado de inteligência. Estudado por séculos, o planeta permanece um mistério absoluto. Constituído de um material líquido desconhecido, o oceano, em verdade uma fantástica criatura alienígena, é capaz de criar gigantescas estruturas em sua superfície e também algo definido como "visitantes", enviados que se materializam numa estação espacial tripulada por humanos. Esses seres são réplicas perfeitas de pessoas do passado dos tripulantes, geralmente associadas a sentimentos inconfessáveis e remorsos. Pessoas já falecidas. Eles são os meios que o oceano vivo usa para sondar a tripulação e, de alguma forma, talvez os testar, destruir sua sanidade mental ou mesmo estabelecer comunicação. Lem não se preocupa em definir as intenções do ser desconhecido. Quando os tripulantes perdem completamente o controle da situação, um astronauta, Kris, que possui formação em psiquiatria, é enviado para investigar os aconteciment
os. Assim como os outros antes dele, Kris logo encontra seu "visitante", uma réplica de uma pessoa do seu passado, Rhea, sua esposa que cometera suicídio. O ente criado pelo oceano corresponde à perfeita imagem de como Kris sentia e observava Rhea, mas também é um ser estranho e perdido, em busca de respostas e de razões. A partir desse argumento, Lem constrói complexas reflexões sobre o inconsciente e os mais profundos demônios interiores de cada um de nós, ao mesmo passo que questiona as relações do ser humano com o cosmos, com a religiosidade e com o desconhecido. O oceano onisciente, que interfere na vida dos humanos com desígnios desconhecidos pode ser encarado como uma espécie de materialização de Deus, e é percebido como um ente distante, movido por propósitos intangíveis. Solaris é uma obra eterna e intrigante, cujas indagações permanecem a provocar reflexões assustadas e estranhas conclusões.
os. Assim como os outros antes dele, Kris logo encontra seu "visitante", uma réplica de uma pessoa do seu passado, Rhea, sua esposa que cometera suicídio. O ente criado pelo oceano corresponde à perfeita imagem de como Kris sentia e observava Rhea, mas também é um ser estranho e perdido, em busca de respostas e de razões. A partir desse argumento, Lem constrói complexas reflexões sobre o inconsciente e os mais profundos demônios interiores de cada um de nós, ao mesmo passo que questiona as relações do ser humano com o cosmos, com a religiosidade e com o desconhecido. O oceano onisciente, que interfere na vida dos humanos com desígnios desconhecidos pode ser encarado como uma espécie de materialização de Deus, e é percebido como um ente distante, movido por propósitos intangíveis. Solaris é uma obra eterna e intrigante, cujas indagações permanecem a provocar reflexões assustadas e estranhas conclusões.
