Futuro atual

“Você pode matar um homem, mas não um ideal”.
V de Vingança (versão em português para V for Vendetta) é uma graphic novel escrita por Alan Moore, e em grande parte desenhada por David Lloyd. A obra foi publicada originalmente na Inglaterra entre 1982 e 1983, em preto e branco, pela Warrior, no entanto, sem finalização. Em 1988, por intermédio da DC Comics, a série foi finalizada e também ganhou uma edição colorida em sua versão norte-americana, para óbvio desagrado dos puristas. Fundamental, trata-se da
maior obra já editada sob a forma de “quadrinhos”.
A história se desenvolve numa espécie de futuro/passado alternativo, no qual, após uma grande guerra que culmina em um hecatombe nuclear, a Inglaterra é governada por um regime fascista-totalitário. Nessa realidade alternativa, um anarquista, “V”, luta para destruir o regime, mesmo que tal intento leve à destruição da sociedade – ou a seu renascimento.
Triste e Sombria, dotada de uma visão política clara e radical sobre o papel do estado, “V” segue a linha de obras como 1984, de George Orwell - não como uma mera derivação, mas como um outro exemplar do gênero. Em seu mun
do fascista fictício e noir, onde todos os aspectos da vida cotidiana são censurados (e também livros, músicas, teatro, cinema etc), os opositores ou indesejáveis são encarcerados em campos de concentração, torturados, mortos e submetidos a horripilantes “experiências” científicas e psicológicas, o texto de Alan Moore evidencia sempre a importância da cultura para a manutenção das liberdades individuais e ataca a ignorância dos detentores do poder, de seus instrumentos políticos/jurídicos e daqueles que os justificam, em várias seqüências e momentos memoráveis. Num sistema em que o estado vigia a liberdade, a pergunta primordial nasce espontaneamente: quem vigia os vigilantes? Tudo isso magistralmente representado nas páginas em preto e branco do original, compondo uma narrativa memorável e revolucionária.
Nesse contexto, surge um opositor do regime, uma personagem cativante e enigmática, “V”, que sempre se mostra com o rosto destruído recoberto por uma máscara -não, não se trata de um herói infantil como o Super Homem ou mesmo Batman – Moore vai muito além disso. Em tal aspecto, a história ganha mais pontos por não enveredar por um mero proselitismo messiânico, com tolices infantis como a idéia tosca de que “um libertador virá” e outras soluções abjetas . “V”, retratado pelo governo como um terrorista louco, antes de tudo, quer vingança...seu ódio irresistível e suas atuações teatrais, aliados ao fato de o mesmo não possuir um rosto próprio, o tornam uma das mais instigantes figuras literárias contemporâneas, uma idéia conceitual muito bem trabalhada por Moore.
maior obra já editada sob a forma de “quadrinhos”.A história se desenvolve numa espécie de futuro/passado alternativo, no qual, após uma grande guerra que culmina em um hecatombe nuclear, a Inglaterra é governada por um regime fascista-totalitário. Nessa realidade alternativa, um anarquista, “V”, luta para destruir o regime, mesmo que tal intento leve à destruição da sociedade – ou a seu renascimento.
Triste e Sombria, dotada de uma visão política clara e radical sobre o papel do estado, “V” segue a linha de obras como 1984, de George Orwell - não como uma mera derivação, mas como um outro exemplar do gênero. Em seu mun
do fascista fictício e noir, onde todos os aspectos da vida cotidiana são censurados (e também livros, músicas, teatro, cinema etc), os opositores ou indesejáveis são encarcerados em campos de concentração, torturados, mortos e submetidos a horripilantes “experiências” científicas e psicológicas, o texto de Alan Moore evidencia sempre a importância da cultura para a manutenção das liberdades individuais e ataca a ignorância dos detentores do poder, de seus instrumentos políticos/jurídicos e daqueles que os justificam, em várias seqüências e momentos memoráveis. Num sistema em que o estado vigia a liberdade, a pergunta primordial nasce espontaneamente: quem vigia os vigilantes? Tudo isso magistralmente representado nas páginas em preto e branco do original, compondo uma narrativa memorável e revolucionária.Nesse contexto, surge um opositor do regime, uma personagem cativante e enigmática, “V”, que sempre se mostra com o rosto destruído recoberto por uma máscara -não, não se trata de um herói infantil como o Super Homem ou mesmo Batman – Moore vai muito além disso. Em tal aspecto, a história ganha mais pontos por não enveredar por um mero proselitismo messiânico, com tolices infantis como a idéia tosca de que “um libertador virá” e outras soluções abjetas . “V”, retratado pelo governo como um terrorista louco, antes de tudo, quer vingança...seu ódio irresistível e suas atuações teatrais, aliados ao fato de o mesmo não possuir um rosto próprio, o tornam uma das mais instigantes figuras literárias contemporâneas, uma idéia conceitual muito bem trabalhada por Moore.
Levada ao cinema pelos produtores de Matrix (os irmãos Wachowski), a história perdeu muito de seu impacto original, como se era de esperar, pois falamos aqui de uma trama que se desenrola no decurso de vários anos. O elenco está ok, Hugo Weaving, Natalie Portman e Stephen Rea estão muito bem - mas seus caracteres, vítimas do roteiro simplificante e supressivo, parecem meras sombras das personalidades que representam. “V” (Weaving) adquire ares românticos, apaixonando-se por Evey (Portman), que por sua vez já é mostrada como uma heroína decidida e questionadora, ao invés de uma adolescente atormentada que lentamente se transforma em uma mulher revolucionária, como na graphic novel. O detetive Finch (Rea) também é pintado com cores mais heróicas, ao invés do escombro atormentado do original, que compreende “V” a partir de uma viagem de LSD. Afora isso, no que tange ao aspecto ideológico, sai de cena o radical discurso anarquista do original, de um mundo sem líderes, para ganhar espaço a desgastada defesa da democracia. Entretanto, mesmo frisando que o próprio Moore declarou que sua oba fora desfigurada "completamente", o filme tem seus méritos, por não transformar “V” em um ser sobrenatural, um mutante ou outra coisa do gênero. Ao contrário, ele demonstra o insucesso da ação isolada em sua meta de destruir o presente e criar um novo futuro - mesmo que tal fururo seja trágico. Ainda que mitigada em sua força, e até mesmo algo infantilizada, a adaptação de “V” guarda alguns bons momentos. Mas, claro, o ideal é beber na fonte. No Brasil já foi editada de três formas distintas: uma minissérie em cinco capítulos coloridos, uma versão encadernada colorida e, por fim, em dois volumes em preto-e-branco. Basta escolher...
